Campanha da Mobilidade para a CML, Miguel o visionário

2 Campanha Semana da Mobilidade CML A Cidade na ponta dos dedos 2013_Miguel

Com apenas 19 anos, o Miguel é o menino visionário desta campanha. O ponto de encontro estava marcado à beira do Tejo. Vestido de t-shirt verde, a esperança do seu discurso ressuscita mortos das campas e abanas as folhas das árvores enquanto conversamos. Inteligente, mas acima de tudo muito consciente do que andamos a fazer nesta vida, o seu respeito à natureza emocionou-me. Invulgar nas ideias e no vocabulário questionei-me se conversaria muitas vezes sozinho com o mundo, é que o Miguel é um menino especial para a sua idade. E se a conversa flui solta na companhia do Sol a abraçar o Tejo num fim de tarde de Verão, foi quando me disse que falava japonês que me rendi. Ao seu sentido de visão, à sua humildade, mas acima de tudo à sua vontade de conquistar o mundo. Aqui vos deixo o seu testemunho e o olhar, um olhar de quem olha para o seu futuro de frente e inundado de esperança.

Pedalas na cidade há quantos anos?
Há quase 4 anos.

Porque o decidiste fazer?
Com 15 anos comecei a questionar o mundo que me rodeava de uma forma mais séria. Procurei conhecer os meios de transporte utilizados nas cidades em todo o mundo e fiquei impressionado com a cultura japonesa. A bicicleta, ou “jitensha” como eles dizem, está impregnada na sociedade japonesa e o facto de ser banal e de eles nem sequer a prenderem com um cadeado nas ruas impressionou-me ainda mais. Decidi experimentar nas minhas deslocações diárias até à escola e resultou.  Os ganhos foram muitos e a vontade de continuar foi ainda maior.

O que te faz mais feliz quando pedalas pela cidade?
Sensação de liberdade e aproximação da natureza. Adoro sentir a água da chuva a serpentear pela minha bicicleta, o vento a deambular pelos cabelos e ouvir o chilrear dos pássaros. Saber que contribuo para um planeta mais verde e sustentável é uma das minhas motivações.

Qual o maior desafio?
Deslocar-me pela cidade na minha nova bicicleta single-speed (com uma só velocidade ). Sinto melhor as encostas e parece que flutuo com mais facilidade.

Já tiveste algum susto?
Vários, tudo graças aos automóveis e seus condutores irresponsáveis. Mas o maior foi sem dúvida numa ciclovia em Belém. Um grupo de corredores apareceu de repente no meio da ciclovia e tive de desviar-me chocando com outra ciclista. Caímos os dois no chão de uma forma aparatosa. Temi pela saúde da ciclista, mas só ficou com alguns arranhões. Ainda assim tudo acabou bem, excepto para a minha bicicleta. A roda dianteira empenou e 5 raios partiram-se na traseira. Os corredores ? Esses seguiram o percurso ao seu ritmo.

Porque aconselharias os outros lisboetas a pedalar pela cidade?
Irão ganhar mais do que perder ao adoptar este meio de transporte nas suas deslocações citadinas. Vão ganhar uma saúde de ferro, mais resistente a mudanças repentinas do clima; a carteira vai estar mais cheia no final do mês; vai depender apenas de si chegar a horas onde quer ; vai encontrar uma paz e um sentimento de liberdade que em mais nenhum meio de transporte encontra; e no final de todas as suas aventuras em cima de uma bicicleta, terá um sorriso na sua cara!

Gostarisa de pedir alguma coisa específica às entidades urbanísticas para melhorar as suas viagens pela cidade?
A Câmara Municipal de Lisboa tem feito um esforço para melhorar as condições de usabilidade das bicicletas na cidade. No entanto, a meu ver, ainda se pode fazer muito mais. Eis algumas sugestões que certamente criariam novos adeptos deste meio de transporte : Criar ciclovias nas principais artérias da cidade, e não só nas zonas de lazer (como têm feito ultimamente);  Melhorar as condições das estradas pois existem milhares de buracos espalhados por todos os bairros, sendo um perigo constante para todos os veículos, não só para as bicicletas; Criar um sistema de partilha gratuito de bicicletas como existe em Londres, Barcelona ou Nova Iorque. Este sim teria um impacto gigantesco na sociedade. Impor limites de velocidade mais reduzidos em todas as ruas e punir os infractores de uma forma mais activa.

Qual a história que mais te marcou a bordo da tua bicicleta pelas ruas da cidade?
Foi num dia em que me deslocava na ciclovia de Belém perto de Santos. Encontrei um casal de chineses ( na casa dos 30 ) que tinham alugado uma bicicleta eléctrica mas a bike da rapariga tinha um furo.  Como costumo ter um kit de reparação comigo decidi ajudá-los. No local não consegui arranjar ferramentas adequadas então fui com o rapaz até à loja onde eles as tinham alugado. Emprestaram-nos algumas ferramentas e seguimos de encontro com a rapariga. Resolvemos o problema num ápice graças ao desembaraço e boa comunicação em inglês deles . No final ofereceram-me um almoço num restaurante à minha escolha. Trocámos inúmeras experiências e fizemos amizade. Sem dúvida que a bicicleta abre-nos horizontes e cria laços que o automóvel tem mais dificuldade em criar.;-)

 

Para ver toda a campanha é  aqui.