Um jardim japonês em Santos

Ser empreendedor nunca foi fácil em Portugal. Sei disto porque o sonho de ter a criarte, um projecto que divulga a língua portuguesa sempre foi um enorme desafio. No que toca a Lisboa, numa das minhas explorações da cidade descubro o novo Fusion Sushi. A juntar à iniciativa do Santos Design District e do futuro projecto do Norman Foster, não tenho qualquer dúvida que esta será a futura zona “trendy” da capital.

E se comecei estas linhas a falar do Fusion Sushi é porque acho imperdoável, que uma morada tão apetecível tenha demorado dois anos a nascer e tudo porque a Câmara assim o arrastou. Estamos numa Europa dinâmica e confesso que me deixa impaciente tamanha demora. Não apenas porque adoraria ter tido já dois anos de igualável sushi de fusão, mas porque prejudica a oferta da cidade.

Questiono-me o porquê do arrasto? Genes, cultura, burocracia, falta de organização ou braços sem vontade de construir, a verdade é que a cidade avança lentamente e isso deixa-nos atrás das tais Barcelona’s europeias. Em frente ao exemplar Estado Líquido habita um jardim lindo e confesso que nunca o vivi porque nunca o achei convidativo. E não porque a flora não seja extraordinária, mas porque a fauna urbana assim mo exige.

Desafio então o sólido império líquido, porque não um “sushi garden” no jardim de Santos? Já estou a imaginar as nocturnas lanternas nipónicas, em noites de Verão de brisa atlântica. E a Câmara Municipal de Lisboa será que tem estofo para os criativos e viajantes do mundo que querem melhorar a cidade? Ou saber esperar é um verdadeiro fado, uma paciente arte em terras lusitanas?

coluna de opinião publicada a 7 de Julho de 2008 no jornal Meia Hora

© fotografia de Orkut