Ninguém poderá conhecer uma cidade se não a souber interrogar, interrogando-se a si mesmo. É com esta citação de José Cardoso Pires que acontecerá mais “um dia por Lisboa” já amanhã, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz Lisboa. Das seis da tarde à meia-noite, a terceira edição desta sessão será como habitualmente contínua de cidadania, para dizer em alto e bom som o que se deve e o que não se deve fazer na nossa cidade.

Se nos compete enquanto cidadãos, a vontade, o dever e a responsabilidade de pensar e de actuar sobre a nossa Lisboa, o convite para esta terceira iniciativa colectiva fica feito por estas linhas. O grande objectivo é provocar discussões abertas, «desmistificadoras e sobretudo motivadoras, em torno da nossa condição de cidadãos de uma cidade tão fascinante, tão intrigante, tão desejada e tão mal tratada».

Com dez minutos para fazer declarações entre cada bloco, as intervenções serão divididas por cinco grandes temas: Respirar (Ambiente e Paisagem), Relacionar (Vida Urbana e Quotidiano), Mover (Mobilidade e Estacionamento), Projectar (Urbanismo, Construção e Reabilitação) e Governar (Administração, Transparência e Participação).

Todos os cidadãos residentes e utentes de Lisboa podem ainda dar o seu testemunho e expressar as suas vontades nas cabines com sistema de gravação.

Iniciativa com nota vinte, para contestar mas acima de tudo alertar e evitar erros como a Agência Europeia de Segurança Marítima e do Observatório da Toxicodependência no Cais do Sodré, que viraram as costas da cidade ao rio numa avenida que goza do nome de Avenida das Naus.

coluna de opinião publicada a 25 Maio de 2008 no jornal  Meia Hora