Sophia, o Panteão, as palavras e ‘não há povo sem cultura’

Sophia Mello Breyner

Na semana em que Sophia de Mello Breyner passou para o Panteão, um dos meus autores favoritos (José Tolentino Mendonça) disse a um meio de imprensa que Sophia tem uma poética da luz e da transparência e que não há povo sem cultura. Nas palavras do poeta a poesia é desde sempre “uma das formas de arte mais persistentes e de todos, o que Sophia de Mello Breyner protagoniza”.

Parte de mim comove-se quando regresso a muitos das suas palavras. Estas umas das mais elevados da sua obra, na minha biblioteca Atlântica.

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

*

Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in ‘Obra Poética’

Sophia