
Quem resiste aos monstro? Nunca lhe resisti. Faz parte de um passado onde passava tardes na cozinha da Avó com as várias gerações à volta das batedeiras. Salame de chocolate com aquela prata que insistia em não sair, Bolo de Bolacha, Quadrados de Chocolate, Panquecas de dois centímetros a imitar as da já falecida Caravela do Chiado ou bolacha Maria frita passada por açúcar. E rapar a tigela, não se lembram? Só de pensar na falta de consciência que era a romaria, àquela cozinha até rasgo um sorriso malandro, daqueles que só uma das minhas sobrinhas é capaz de fazer. Nem vou falar das Belinhas, do Coma com Pão, ou do Flock Chock. E os chapéus da Regina e as Bolas de Neve? Depois vieram as Bang Bang e as Peta Zetas que vinham de Badajós. Nunca cheguei a ser da geração dos Oreos nem das gomas. As primeiras dispenso, as segundas faço autênticos saques às de sabor Coca-Cola, às latas escondidas, que guardo para as minhas framboesas (vulgo cinco sobrinhos que dão vontade de apertar de tão queridos que são).
O que se passa é que os temos mudam. E por haver Oreos, gomas, televisão a mais, e corridas na rua a menos, até o Monstro ficou de dieta. Estranhei porque o monstro sempre foi o grande cúmplice da malandrice, o cúmplice dos furtos em massa ao pote de vidro, que os meus pais guardavam atrás da porta da casa de jantar. O pote ainda existe, resistiu todos estes anos… às vezes pergunto-me como foi possível.
No outro dia perguntei aos framboesos se sabiam jogar à cabra cega ao ao mata. Se gostavam do quarto escuro e se brincavam aos tesouros. Fez-se silêncio. Por isso consigo ficar feliz com a notícia. A minha Mãe ensinou-me desde miúda a gostar de salada e hoje mesmo longe da quantidade de vinagre que lhe punha, o habito ajudou a monja. E enquanto me questiono sobre se a dieta do monstro faz sentido (aqui fala a escritora que gosta do estilo sexy das medidas Nigellianas), levanto-me para comprar paus de giz. É que sábado é dia de sobrinhada e mesmo sem Oréus, vai ser um bom dia para recordar com eles, como era tão bom brincar na rua, riscar o chão e saltar à corda.


