‘Pensar Paris’

A imagem foi captada ontem à noite, no Terreiro do Paço, pela sensibilidade sempre serena de um dos meus companheiros de viagem, o grande fotógrafo Manuel Lino.

Terreiro do Paço Pray for Paris Manuel Lino

Tropeço por momentos numa das crónicas que se fazem ou ouvir na imprensa de papel.

“Dizem que não devemos ter medo. Que é isso que eles querem. Mas como é que podemos não ter medo? O medo é a única coisa que podemos ter. Os assassinados e os feridos de Paris tiveram um medo de morte. É só por termos a sorte de não termos lá estado e estarmos vivos que vamos deixar de ter medo que amanhã seremos nós? É que ontem já poderíamos ter sido nós. Ter medo e pena e raiva e vontade de vingança é o mínimo de solidariedade que podemos sentir.Que nos interessa o que querem os assassinos? Porque devemos fazer o contrário do que eles querem? É um acto de dependência tão servil e estúpido como fazer o que os assassinos querem.

A crónica não acaba aqui… é do MEC e está no Público.

A vida continua claro, e é importante rezar por Paris, sim, claro que sim. Mas ainda mais importante é pensar. Pensar por Paris. Pensar pelo Mundo.

Passa-se assim o fim-de-semana agarrada ao coração, por entre as páginas de jornais, noticiários e a salvação dos livros, esses amigos silenciosos, que insistem em não me largar nestes momentos tristes, em que sem traves mestras, caímos no meio de uma tempestade, como Ada MacGrath numa das mais cénicas e marcantes cenas do ‘Piano’ de Jane Champion.
E mesmo sem voz ou dedos para tocar as notas da Humanidade, o andar Atlântico cobre-se de altas sinfonias clássicas como quem tenta, nem que seja por uns momentos, salvar o Mundo.