
O título poderia ser ‘o regresso do filho pródigo’, assim como um Rembrandt, ou um livro de Henri Nouwen, mas não é mais do que o meu humilde e agradecido regresso aos treinos com os horários mínimos para que faça sentido treinar semanalmente. Foram quase dois anos de desafios de saúde seguido da minha missão de enfermeira dos últimos doze meses a alguém que me é muito querido.. E regressar é sempre um elogio a algo importante.
Foi no Holmes Place, que aprendi a ser o que sou enquanto desportista. Será que o posso chamar assim? Tudo o que hoje faço sozinha devo ao meu mentor e professor de cycle João Ribeiro, com quem fiz personal trainning durante um ano. Não há treino que faça, que não me lembre deste professor de excelência, com quem ganhei o vício da bicicleta e não há ninguém em Portugal que dê aulas assim tão inteligentes e com detalhes que não vejo mais ninguém fazer. Nos seus treinos e aulas há invocação a entidades históricas e bandas sonoras gladiadoras de filmes inspiradores. A este professor devo tudo o que sou a competir comigo própria.
Mais do que a minha vontade ou sacrifício, com mentores inteligentes (para mim é importante que o seja, pois pergunto tudo e mais alguma coisa e preciso de ter respostas justificadas) é fulcral para nos levar a passar os limites, e só por essa aprendizagem agradeço-lhe o que fez pela capacidade da minha mente. Com este professor aprendi que não importa o objectivo, mas o momento em que nos ultrapassamos. No retorno a nossa entrega recebemos a adrenalina da vitoria que nos inunda a pele, a mente e a alma durante o resto do dia.
Agora com autorização mental para finalmente voltar aos meus treinos fiz um novo plano com outro professor exigente e atento, Jorge Melo. A receita que me deu envolve também as corridas à beira, nesta Lisboa linda que nos abraça a um rio magnífico. A beleza dos barcos, a cumplicidade dos que correm ao meu lado ou em direção oposta, mas o mais importante, o cheiro a Tejo que me limpa de tudo o que trago a mais na cabeça e que é rapidamente alinhado com uma hora de treino. Para correr eu uso Asics, recomendada pela Ana Horta Osório, e desde que fiz o teste ao meu formato de pé e tipo de corrida, na loja de Argyll Street em Londres corro de forma diferente. Hoje em dia mais do que uns ténis que parecem nuvens, são uns companheirões de vida no abraço ao Tejo.
Para complementar a força é feita dentro de portas e na minha experiência, o trabalho de cardio precisa de pelo menos duas a três aulas semanais de força e no mínimo uma de alongamento, como complemento, e aqui adoro Body Balance porque me lembra o meu Ballet de menina.
E verdade seja dita, muito mais do que a corrida aos ginásios quando a primavera espreita, e muito mais importante do que ficar bem em qualquer fato de banho Atlântico, o objectivo de qualquer treino deve ser o gozo diário. Não pelo objectivo em si (que também é importante), mas muito mais pelas células de felicidade que se espalham na pele depois de um treino. E por isso é que é importante termos tempo para treinarmos, assim, como na senda de felicidade.



