For more than twenty years, I have explored Portugal and the world through writing, travel and storytelling, with articles published in national and international press and a TV Show dedicated to hospitality and culture, filmed in Portugal, Amsterdam and New York.

This is my digital portfolio, a curated hospitality, culture, heritage, lifestyle and travel collection of places, people, stories and experiences, from Portugal and beyond.

Sancha Trindade

No fogo da genialidade
Foi uma viagem atribulada, mas que pela sua genialidade se declara como um grande espaço a engrandecer Lisboa. As nossas cidades têm este potencial imenso, de serem ainda maiores quando se aproveitam por si só. E se o carismático Malaca junto ao rio foi ateado pela intensidade do fogo, enquanto não se recupera a oportunidade de continuar a servir os melhores pratos asiáticos da cidade aproveita a genialidade de se instalar na majestosa livraria Ler Devagar, no Lx Factory. Chego a horas com o meu amigo Alfaiate Lisboeta e impressionados pelo espaço industrial – onde se almoça e janta entre antigas máquinas de impressão recuperadas que limpas e iluminadas são até usadas para guardar copos ou garrafas – estamos sem dúvida presente um espaço único. A noite estava gelada e eu confesso que sofri com a corrente de ar, a nossa mesa à janela tinha uma luz proibida branca e forte – aconselho a reservar as mesas entre as máquinas no meio da sala – e o serviço atribulado chegou até a ter a sua graça, pela vontade atrapalhada em várias línguas. Por momentos senti-me em Nova Iorque, mas estava em Lisboa. Não adorei o serviço, mas, como filha de um alfarrabista senti-me em casa e se as leituras precisam de ser lidas devagar, no Malaca Too o epílogo oi rapidamente positivo. Perante as extraordinárias iguarias de Yoon Chin: tempuras perfeitas, caranguejo de casca mole (Malahai), vieiras Tori em sake e molho de soja, crepes viatenamitas, o obrigatório caril vegetariano ou o arroz cozido em leite de coco com amendoim, pepino e sambal de camarão (Nasi Lamak) sobra ainda tempo para agradecer um espaço que me transporta à imensidão de outras formas.
Malaca Too
LX Factory, Rua Rodrigues Faria, 103, Alcântara
Tel. 96 710 4142

Sim, vale a pena preservar
No edifício tão presente que é a Villa Souza no Largo da Graça, surge mais uma descontraída sala de jantar para ser aclamada na minha querida cidade. Com Lisboa aos pés no miradouro a poucos passos, a grande vontade de recuperar tertúlias entre quatro paredes devolveu-nos o Botequim da Graça. Fundado por Natália Correia em 1968, com Isabel Meyrelles, Júlia Marenha e Helena Roseta, foi aqui que durante as décadas de 70 e 80, se reuniam viajantes de mente como Fernando Dacosta a David Mourão-Ferreira, António Alçada Baptista, José-Augusto França, Luiz Pacheco, Ary dos Santos (obrigada pela letra do Homem da Cidade) ou José Cardoso Pires. Encerrado após a morte de Natália Correia em 1993, ainda reabre como sede da Fundação José Afonso ou mais tarde como uma livraria infantil, o Pequeno Herói. Hoje recuperado a cores que elevam tantas palavras e memórias, o Botequim engrandece a minha cidade das nove da manhã à meia noite e meia. E entre mobiliário antigo, paredes vintage e livros, muitos livros, a morada que transpira boa música oferece ainda um serviço acima da média. Das minhas experiências anoto das sugestões das paredes, a salada de cuscuz com vegetais grelhados, mas se permanecer passa apenas por dedos de conversa, acompanhe a boa experiência de um licor de figo e da deliciosa programação cultural.
Botequim
Largo da Graça, 79/80
Tel. 21 888 8511

Quanto brilho cabe na criatividade de Lisboa?
Pela primeira vez na história da marca sueca, o formato da garrafa foi reformulado com a transformação do seu acabamento numa textura de vidro cinzelado. Se a ideia de cristalino, tem como missão ‘o transporte a uma obra de arte contemporânea que explode luz, vibração e energia em todas as direcções’, o meu brio cultural leva-me a imaginar que poderia ter sido inspirada nos nossos copos da Marinha Grande. Lançada no (muito bem escolhido) Clube Ferroviário, uma viagem que nos convida a entrar na carruagem do ‘aqui e agora’ ou nas palavras absolutas ‘the present is precious, now make it exceptional’
Absolut Glimmer
Preço recomendado €14

crónica ‘Pelas ruas da cidade’ publicada na edição de Janeiro de 2011 na GQ