Conduzida não por um príncipe catalão mas de Portugal voltei a abraçar a cidade de Barcelona e esvoaçando de mota pelas ruas da cidade confirmo por estas linhas uma morada longe da agressividade madrilena. Uma cidade que serenamente convicta de si própria, se enaltece como agradável a quem a habita ou procura.

Esquecida da arrogância guardada em memória lancei-me a um sorriso rasgado no primeiro dia de visita, aquando encontro ocasional com um tão desejado cartaz do filme Asas do Desejo de Wim Wenders. Com surpresa acabaria por me ser oferecido, apenas por ser uma lisboeta curiosa que prometeu ao futuro viajante da cidade branca, informação antecipada.

 
Sem tocar de perto os planos de Ildefonso Cerdà é inquestionável a sua visão notável de um lugar que nos envolve. Seja pelas esquinas truncadas, pelas geniais bicing’s pedaladas pelos moradores desta atraente morada, seja pelas bow windows sem arrastamento de estores, seja pela inundação de árvores pelas ruas, ou pela energia vibrante que esta cidade transporta é louvável o seu posicionamento turístico aos olhos do mundo.
 
E tudo porque quem faz, faz bem feito e quem renova não estraga. Bem planeada e urbanisticamente quase perfeita, (sente-se falta de jardins no centro da cidade), Barcelona é sem dúvida uma cidade equilibrada onde a coerência urbana não nos faz gastar o stock doméstico de Alka Selser.
 
Porque sempre defendi que Lisboa tem tudo para merecer ocupar um lugar igual ou melhor, partilho a vontade de a destacar como quem abre um tesouro à beira da irreverência Atlântica. E a quem a constrói, suplico apenas o bom senso nas decisões futuras.

coluna de opinião publicado a 28 de Abril de 2008 no jornal Meia Hora