I wander around the city and its escapes, discovering the experiences that are worthwhile in a world full of noise.
As a curator of the best of Portugal and sometimes as a World traveller, with more than twenty years of articles published, in the national and international press, and also as an TV Show. author, this is my digital magazine, where I present my curated collection of exquisite life experiences.

Sancha Trindade

Há uma semana que cheira a Natal nas ruas da capital. Com um protocolo assinado em 1996, entre a União dos Comerciantes do Distrito de Lisboa e a Câmara Municipal, o comércio tradicional é inundado de luz com um orçamento à volta de 406 mil euros. Além do bairro da Avenida de Roma, da Rua Ferreira Borges em Campo de Ourique, da Baixa Pombalina, do Chiado, da Rua de Belém, da entrada das Amoreiras, da entrada de Santa Apolónia e da entrada de Pedrouços, gozamos ainda de iluminações natalícias no Rossio e na Avenida da Liberdade, sendo estas possíveis com o patrocínio de uma instituição privada.

O orçamento teve um corte na ordem dos 60%, o que desinquieta sempre os comerciantes de rua, que lutam contra os impessoais centros comerciais. Sempre fiel à expressão less is more, não posso deixar de me desiludir ao procurar sentir as luzes de Natal no Chiado. Com um orçamento mais em conta, poderia ter sido feito uma intervenção mais sóbria e mais condizente com a beleza da nossa cidade branca, que é já tão espontaneamente iluminada.

Laços rebuscados, muitas cores sortidas e alguns bolos de noiva não me convidam a respirar a espiritualidade possível nesta época consumista. Por isso e oferecendo de graça, desde já, os meus serviços de consultoria estética para o ano de 2008, faço o apelo: da próxima vez make it simple. O Chiado já é tão bonito que simples luzes brancas em quantidade seriam com certeza mais em conta e suficientes para o enaltecer. É que como escreveu um dia Eugénio de Andrade, Lisboa é uma rapariga descalça e leve e não precisa de muitas cerejas para brilhar. Eu sei e tu sabias?

coluna de opinião publicada a 3 de Dezembro de 2007 no jornal Meia Hora