For more than twenty years, I have explored Portugal and the world through writing, travel and storytelling, with articles published in national and international press and a TV Show dedicated to hospitality and culture, filmed in Portugal, Amsterdam and New York.

This is my digital portfolio, a curated hospitality, culture, heritage, lifestyle and travel collection of places, people, stories and experiences, from Portugal and beyond.

Sancha Trindade

Made in Portugal, no Sol

Portuguesa de nacionalidade, alfacinha de gema, defensora de Portugal por princípio. Sancha Trindade dá a conhecer o melhor do país dentro e fora de portas

artigo publicado por Patrícia Cintra a 13 de julho 2012, no jornal Sol 

«Não acredito na sorte, acredito na perseverança e na energia que atrai coisas boas», chuta para princípio de conversa. Jornalista, empreendedora e criativa, Sancha Trindade começou por se especializar em peritagem em
arte por influência familiar. Uma avó dedicada às antiguidades e umpai alfarrabista marcaram- lhe o ADN mas Sancha não se deixou limitar pela carga genética: «Rapidamente percebi que não podia ficar nos bastidores da criatividade dos outros. Precisava de voar e a partir daí desenvolvi o projecto criar-te, a partir de uma frase de Alexandre O’Neill».«Criar-te a ti português saudosista que vives da miséria de uma miséria de uma noite gerada por um dia igual» foi o mote para a primeira aventura de defesa do património nacional.Em2009 começou pela língua, ao conceber uma linha de t-shirts com citações de autores portugueses, mas rapidamente extrapolaria o seu universo de actuação. Com o jornalismo e um blogue (www.lisboanapontadosdedos.blogspot.pt), onde publicava artigos sobre Lisboa, as suas histórias e as pessoas que nela habitam, ganhou a alcunha de «farol da cidade» e com esse título mais portas se abriram.

Passou pela Vanity Fair, pela CondéNast Traveller, pela Vogue e pela GQ Brasil sempre com a vontade de divulgar o país e mostrar como era aquele rectangulozinho ali encravado entre Espanha e o Atlântico. «Como é que eu consegui estes contactos…? Pego no telefone e digo: ‘Olá! Sou a Sancha Trindade’. Eles gostam, faço propostas, eles aceitam e é assim. Também é importante saber conquistar. Por exemplo, no caso da Vanity Fair, que é uma marca poderosíssima, liguei para lá e disse: ‘Entrevistei o Scott Schuman’ [criador do importante blogue de moda The Sartorialist]. Se calhar o sucesso também vem de nos pormos a jeito com o isco certo. Hoje entro com o Scott Schuman, amanhã entro com o Filipe Faísca. O meu segredo é a pro-actividade, nunca desistir e acreditar muito no que estamos a fazer». E Sancha acredita. Em Junho voltou a lançar-se (relançar-se?) no ciberespaço com a plataforma

A Cidade Na Ponta dos Dedos (http://sancha.vhagar.afonsowilsson.net). «A ideia desta ‘plataforma’ nasceu a partir da imagem de um porto de embarque porque eu sou fascinada por metros e comboios e viagens. Depois a ideia da ‘cidade na ponta dos dedos’ surge a partir de uma história de amor que eu imaginei entre o Porto e Lisboa duas cidades complementares. Lisboa é feminina, é sexy, é elegante e o Porto é a cidade empreendedora, do granito, em contraste com o calcário de Lisboa, mais delicado, mais branco».

Além da partilha das suas crónicas, das histórias por trás de cada lugar que conhece e das pessoas que encontra pelo caminho, Sancha lançou-se também num projecto social para combater a solidão com que a população idosa se confronta. Tudo começou quando marcou presença no Orçamento Participativo na Câmara Municipal de Lisboa e ficou a saber que há 85 mil idosos a viver isolados nas suas casas. «Acho mesmo que a solidão é a grande doença do século XXI», afirma.

Por isso, abraçou a missão de pegarem casos reais e dá-los a conhecer através de pequenos documentários televisivos.
«Fiquei a saber de uma pessoa que como não tem intercomunicador para saber quem toca à porta, não abre, ou de outra que não tem corrimão e por isso não vai à rua porque tem medo de cair nas escadas», revela. «Sei que não vou salvar o mundo, mas é um trabalho que quero fazer. Um dia seremos nós que vamos estar naquela situação».