A terceira travessia do Tejo foi aprovada na passada quinta feira, em Conselho de Ministros, com base num estudo comparativo do LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil). O mesmo deu vantagem ao eixo Chelas/Barreiro em detrimento da Beato/Montijo, proposta no estudo sobre o novo aeroporto de Lisboa, encomendado pela CIP (Confederação da Indústria Portuguesa).

O presidente da Câmara de Lisboa anunciou que a nova travessia sobre o Tejo, entre Chelas e Barreiro, será rodoviária e ferroviária. Com uma extensão de 13 quilómetros, sete dos quais sobre o Tejo, com duas vias para a alta velocidade, duas para a rede convencional e duas laterais com três faixas cada para o tráfego rodoviário, a mesma permitirá assegurar a ligação em alta velocidade Lisboa – Madrid (TGV), a ter início em 2013. António Costa, defende ainda que parte das receitas das portagens deverão reverter para a melhoria dos transportes públicos da capital.

Questiono-me sobre a necessidade de uma terceira ponte nesta morada.Fará sentido uma travessia entre as já existentes 25 de Abril e Vasco da Gama? Enquanto qualquer cidade mundial restringe a entrada de carros nas cidades, reduzindo a poluição automóvel, fará também sentido aumentar o tráfego em Lisboa?

E sobre a enorme alteração ao impacto ambiental sobre a capital portuguesa, modificando por completo uma das mais importantes paisagens da cidade branca? Mesmo que o projecto da nova ponte venha a ser mais um ícone arquitectónico, temo por um dos mais bonitos postais de Lisboa. É que depois do erro cometido, nem o ‘photoshop’ nos valerá.

coluna de opinião publicada a 6 de Abril de 2008 no jornal Meia Hora