
‘As palavras não fazem o homem compreender, é preciso fazer-se homem para entender as palavras’. O poeta mais escondido de todos dos que habitam a minha biblioteca Atlântica lançou um novo livro. Já a respirar nas estantes das livrarias, como de costume, é para quem apanhar.
como se atira o dardo com o corpo todo,
com a eternidade em não mais que nada,
e depois a abolição do tempo,
e então o que respira no corpo passa à vara,
e o que respira na vara passa depois à ponta,
tu não, tu já respiraste tudo pelo dardo fora,
mudo e cego e surdo,
e és um só ponto do alvo onde respiras todo,
e tudo respira nesse ponto,
em ti, veia da terra, oh
sangue sensível


