For more than twenty years, I have explored Portugal and the world through writing, travel and storytelling, with articles published in national and international press and a TV Show dedicated to hospitality and culture, filmed in Portugal, Amsterdam and New York.

This is my digital portfolio, a curated hospitality, culture, heritage, lifestyle and travel collection of places, people, stories and experiences, from Portugal and beyond.

Sancha Trindade

há beijos que marcam?

Com cerca de cinco mil anos de história, aponta a história que teriam sido as mulheres da antiga Mesopotâmia como as possíveis inventoras do batom, feito a partir de pó de joias semi-preciosas. Também as mulheres da Civilização do Vale do Indo, na Ásia Meridional, coloriam a boca com uma pigmentação vermelha. As egípcias usavam um corante feito a partir de algas marinhas, iodo e bromo, ficando conhecido na época como ‘o beijo da morte’, pelo uso de ácidos que não seriam muito amigos da saúde.

A Cleópatra usava besouros carmim do México, que tinham um pigmento vermelho vivo que esmagados com ovos de formigae escamas de peixe davam o efeito brilhante e já no século XVI pelas tendências da rainha Elizabeth I começou-se a usar batom em contraste com o pó de arroz. No século XVIII, no Japão, as gueishas esmagavam pétalas de açafrão para criar batons e no final do séc. XIX a Guerlain começou a desenvolver o produto e em 1884, o primeiro batom tal como o conhecemos, era embrulhado em papel de seda feito com sebo de veado, óleo de mamona e cera de abelha e posto à venda nas perfumarias parisienses.

Com o impacto do cinema nas décadas de 20 e 30, Elizabeth Arden e Estée Lauder começaram a vender batons vermelhos e logo depois a indústria americana. No anos quarenta e com a magia das pin-ups e a segunda guerra mundial, o batom vermelho alastrou-se pela produção mundial, onde se inventou a embalagem push-up como a conhecemos hoje.

As imagens revelam mulheres que de alguma maneira me parecem ter alguma luz especial e sobre o batom – que também elas algum dia usaram – sabem que sou uma M.A.C.iana convicta e dispenso embalagens douradas, mas descobri o Rouge Pur Couture  da YSL e estou rendida ao aroma, mas sobretudo ao veludo da textura.

A imagem de desejo que escolhi para o cabeçalho deste post imortaliza uma das minhas fitas preferidas. Solveig Dommartin, na pele da alada Marion, referencia uma das minhas frases sagradas da história do cinema, dimensão onde a cor poderosa ao longo da história da sétima arte deixou a sua marca.