‘da minha língua vê-se o mar’

No passado dia 21 de Fevereiro celebrou-se o Dia Internacional da Língua Materna. Com o objectivo de promover a diversidade linguística e cultural, proclamado em Novembro de 1999 pela Conferência Geral da UNESCO, desde Fevereiro de 2000 que se comemora este dia internacional. São cerca de seis mil as línguas do mundo, mas metade está ameaçada de ser extinta.

 
Segundo o Observatório da Língua Portuguesa, seguido do mandarim em primeiro, do inglês, espanhol, russo, francês, hindi/urdu e árabe, o português é o oitavo idioma mais falado no Mundo enquanto língua materna e língua estrangeira, através de 190 milhões de pessoas. Em plena 4ª edição do Campeonato da Língua Portuguesa, iniciativa conjunta do jornal Expresso, Jornal de Letras, Sic e Sic Notícias, confesso hoje por estas linhas o incómodo de algum português que me chega através de mensagens de telemóvel.
 
O nosso poeta embaixador Fernando Pessoa escreveu um dia que a minha Pátria é a minha língua. Certamente que tal como as cidades, a língua também evolui. Mas será que a mesma merece ser facilitada, em detrimento de uma vida apressada e que nos consome os deliciosos detalhes? Sendo que a caracterização de um povo e de uma cidade está também na língua, a verdade é que me esforço em enviar mensagens onde não troque o “qu” por “k”.
 
Veículo de comunicação e portador de identificação, a língua é sem dúvida um factor para a definição da nossa identidade cultural.
E em caso de dúvida deixo a sugestão de escrever com dignidade. É que como escreveu Virgílio Ferreira, da minha língua vê-se o mar.
 
coluna publicada a 25 de Fevereiro de 2008 no Meia Hora