como quem não se esgota na beleza

chegas-me sempre devagar. do sul de França passas pela minha cidade a deixar rasto, a deixar um perfume onde a malha da vida se constrói quase sem tempo. talvez o ser humano mais puro que a minha essência alcança, nestes dias tão frágeis que o mundo transpira. são lindos os postais que guardo no nosso tesouro, com sorriso de menina-criança e onde a mácula dos dias não tem espaço. a teu lado a minha cidade fica ainda mais bonita e não imaginas a alegria que me dás quando dizes que é em Lisboa que queres viver.
adoro essa tua liberdade que aceita a realidade da vida sem resistência à mudança. transformas o sofrimento em dias onde abraças a realidade no teu ser mais digno. não sei como sobrevives a essa cidade do outro lado do Atlântico onde estás agora e sei que Lisboa reclama por ti. pergunto-me muitas vezes se és deste mundo? gostava de te apresentar ao Ribeiro Telles e lhe contar o carinho com que tocas a terra , a terra onde com a beleza das tuas mãos dás vida à natureza. as mesmas que me deixam sem fala quando ao fim de todos estes anos me dizes, ‘sabias que toco acordeão?’ assim como quem não se esgota na beleza, tocas-me com a mais bonita luz de Lisboa a valsa de Yann Tiersen e sem conseguir dizer uma única palavra selas-me a uma morada que não é deste mundo. 
para sempre.