
Qual o foco de luz que deveremos acender da marca Lisboa? Se contarmos muitas histórias perdemos a oportunidade de sermos bem compreendidos. Por isso a desafiante questão: qual o lustre que devemos acender das tantas histórias que poderemos contar?

‘No mundo das cidades globais a afirmação de cada uma, faz-se cada vez mais com trabalho em torno do seu potencial competitivo, da capacidade de atrair e reter talentos, investimento, e de continuamente melhorar, criar e oferecer valor a quem a visita, aos seus habitantes e a quem nela trabalha. Neste sentido, a afirmação da sua identidade e a construção de uma marca são elementos centrais no marketing territorial e no posicionamento e destaque das cidades na economia globalizada’.
Assim aconteceu o jantar que reuniu ontem à noite no Grémio Literário alguns amantes de Lisboa e que antecedeu a conferência ‘City Branding’, que aconteceu hoje na Sala de Arquivo dos Paços do Concelho.

A iniciativa foi do sempre destacável e dinâmico Gabinete da Vereadora Graça Fonseca da Câmara Municipal de Lisboa, que em parceria com o Urban Land Institute (ULI) trouxe a lisboa Greg Clark, membro do ULI e especialista em temas de competitividade urbana, bem como de Mateu Hernández (CEO da Barcelona Global) e Geerte Udo (Diretora de Marketing da Amsterdam Marketing), como oradores numa discussão em torno da criação de uma ‘marca’ para a cidade.
Achei um privilégio ter participado, quer no jantar quer na conferência e debate de hoje. E agradeço a vontade do Gabinete da Vereadora Graça de querer dar resposta a uma pergunta, que nem mesmo os próprios portugueses, conseguem, muitas vezes, responder.
Qual é afinal a marca de Lisboas? Como nos vemos, Como achamos que nos veêm? E onde queremos estar em 2020? E estamos nós preparados para lidar, com as mudanças de passarmos a ser mais visitados? E queremos mudar? Ou preferimos ia na onda, sem refletir ou questionar a marca da nossa cidade?
Que Lisboa é uma cidade fortemente ligada às descobertas, quais quer elas sejam, já todos sabemos, mas sabemos vender essa descoberta? Somos genuínos mas falta-nos (e não falo por mim) confiança.
De tudo o que absorvi, quer no jantar, quer na conferência, penso que o grande desafio será conseguir o que Amesterdão conseguiu: pôr todos os organismos a falar sobre a mesma história e a mesma marca. Mas mais: conseguir com que a classe política, que muda tantas vezes de cadeiras, não mude de estratégia. Ainda a importância da continuidade e persistência como dois dos ingredientes do sucesso, da passagem e compreensão do que queremos que seja a nossa marca Lisboa, para o mundo e para todos os portugueses.
Se pensarmos o que Barcelona se vendeu depois dos jogos Olímpicos e como Amesterdão conseguiu ultrapassar a imagem de drogas e bairros vermelhos, com a marca I amesterdam, penso que temos um grande caminho a percorrer. E de todos os desafios que é contar a história mais correta. de tudo o que Lisboa representa para cada um de nós, é conseguir pôr os representantes de todas as entidades, sejam elas institucionais, culturais e por aí fora até aos pequenos quiosques de informação turístic, ou mesmo as bocas dos habitantes lisboetas, a contar a mesma historia. Desafio grande? Sim, mas possível.
Esta conferência foi um primeiro passo, ou um fósforo, que nas palavras de José Tolentino Mendonça podem, se assim o quisermos, alcançar o milagre do fogo. Eu já me comprometi há alguns anos, e tenho muito orgulho de dedicar a minha vida profissional a esta cidade. E aqui continuo de mangas arregaçadas para compactuar com esta vontade. Um passo que vejo a crescer com a envolvência de todos os habitantes de Lisboa. E aí sim construiremos todos juntos uma escada, em sentido ascendente, claro.
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