Em homenagem ao poeta para quem respirar era mesmo muito importante, aqui vos deixo um dos poemas preferidos da minha biblioteca Atlântica, deste grande poeta português, que me ensinou a nunca adiar um dos valores mais importantes da sapiência da vida.
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração