A Frigideira de Bairro, na importância da partilha e da memória

© A Frigideira do Barro 1

A Frigideira de Bairro acabou de abrir no mercado de Campo de Ourique e quando soube quem estava por trás desta nova marca da cidade pedi ao motorista do eléctrico 28 para andar mais depressa. Depois do Sea Me (já sabem que é um dos restaurantes Atlânticos da minha paixão) e do Prego da Peixaria (estou fã incondicional, porque simplesmente já não vivo sem eles, pela sua estética visão, mas sobretudo pelo sabor), o grupo de Rui Gaspar, António Querido e João Vaz  oferecem agora a Lisboa A Frigideira de Bairro.

Adoro testemunhar que o mercado de Campo de Ourique se reinventou, mas sobretudo adoro ver esta morada que me é tão querida, cheia de pessoas, sempre que por lá passo. Adoro ver o movimento e o contraste dos turistas e dos lisboetas em movimento, em contraste com aquelas senhoras que por lá andaram a vida a toda, a oferecer sorrisos e sapiência de vida. Talvez por isso esta nova marca do Mercado de Campo de Ourique faça ainda mais sentido.

A Frigideira de Bairro nasce assim como um conceito bairrista, que nas palavras dos seus mentores “reflete o espírito português, servindo o encontro dos lisboetas e que nos leva à partilha, ao convívio e à descoberta de sabores tão presentes na nossa memória”. E sou muito ligada à memória, sou pouco de tachos e frigideiras confesso, mas uma coisa é certa, depois da experiência desta nova banquinha do mercado não há lugar para dúvidas: “uma frigideira não serve apenas para fritar ovos”.

“Sem pretensões a estrelas Michelin”, lema que emana nas t-shirts da equipa em movimento (e não há margem para dúvidas que são já uma das imagens das marcas que este grupo vai mimando Lisboa), os petiscos são para partilhar e apresentam-se em fórmulas simples, assim como uma viagem no tempo aos sabores tradicionais portugueses, sempre tão presentes na memória e na casa dos nossos avós e nas cozinhas mais sentidas.

Tudo servido em frigideiras genialmente empilháveis, já que a dinâmica divertida do mercado assim o exige, as opções de escolha são uma tentação: Vieiras com chouriço, malaguetas e mel, Vazia engalanada de molho café Paris, queijo da serra ou português, Gambas ao alho, Porco preto de Moura, Polvo com aipo, Iscas de novilho, Alheira de Mirandela, Lascas de Bacalhau ou porque não Cogumelos e hortelã? Ainda as batatinhas assadas com ervas do campo ou os Legumes do Mercado que me transportam com orgulho à essência desta morada e à urgência de voltarmos às origens.

E assim Lisboa regressa a pouco a pouco ao que deveria ter sido sempre: “Uma cidade pitoresca”, como defende um grande crítico desta cidade que muito estimo, e nessa ideia familiar, os petiscos de frigideira assentam-lhe que nem uma luva. As receitas simples e que testemunhei orquestradas pelo Carlos, que de forma humilde e sofisticada elevava a arte de bem cozinhar e a arte de domar as frigideiras, partilhava um sorriso e uma entrega do tamanho do mundo. Assim como quem percebe o potencial da marca Lisboa e a diferença que nós enquanto humanos e conectados com o melhor das nossas origens, podemos fazer toda a diferença. Num mercado, num bairro, numa cidade e todos juntos  – e olhem só a beleza da imagem – num país inteiro.

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A Frigideira de Bairro
Mercado de Campo de Ourique
Brevemente nas ruas da cidade
Tel. 962 413 319
facebook aqui

Se ainda houver coragem termine em beleza na Casa dos Ovos Moles em Lisboa. Agora sim, o Mercado de Campo de Ourique está completo.

Casa dos Ovos Moles em Lisboa © Sancha Trindade (2)Casa dos Ovos Moles em Lisboa © Sancha Trindade