Este artigo foi também publicado no Público.
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Muitos são os que atravessam o planeta para nadarem com as jamantas da Baixa do Ambrósio, na ilha de Santa Maria. Conhecidas por se agregarem em grande quantidade nos Açores, já se tornaram estrelas maiores da ilha do Sol. Aqui, pode testemunhar-se um dos postais aquáticos mais feéricos do mundo.
Many people travel across the globe to swim with the manta rays at Baixa do Ambrósio, on the island of Santa Maria. Known for gathering in large numbers in the Azores, they have become the island of the Sun’s greatest stars. Here, you can witness one of the most ethereal underwater spectacles in the world.

Como é mergulhar com jamantas? É “coisa do divino e das melhores experiências que levamos desta terra dos vivos”, ouvimos dizer ainda antes de vivermos esta experiência única, desejada por tantos mas que poucos conseguem realizar. Se dúvi- das existirem, imagine-se a esvoaçar no profundo azul açoriano com 50 jamantas ao mesmo tempo. O que pode parecer um sonho líquido de uma imaginação vasta é uma concretização real para todos os mergulhadores que tenham a certificação Open Water.
What is it like to dive with manta rays? It is “something divine, and one of the best experiences we take with us from this earth”, we were told before experiencing this unique encounter — one so many dream of, yet so few get to live. If you have any doubts, imagine yourself gliding through the deep blue waters of the Azores, surrounded by 50 manta rays at once. What may sound like a liquid dream born of a vivid imagination is, in fact, a real experience for any diver holding an Open Water certification.

Mas comecemos pelo início, onde nasce a promessa do postal idílico. A cada ano, são muitos o que aterram em Santa Maria para, a partir da mari- na da Vila do Porto, iniciarem uma das experiências mais fascinantes que provavelmente vão viver na vida.
Santa Maria é a ilha mais meridional do arquipélago açoriano, a que mais horas de Sol oferece por ano. A bênção deve-se à proximidade da ribeira do Golfo e ao seu perfil, que porsermaisbaixo, torna-anaúnica ilha do arquipélago com menos humi- dade e por isso, com um clima mais parecido com o mediterrânico. A também apelidada de ilha amarela foi a primeira ilha açoriana a formar-se, há mais de oito milhões de anos, como também a primeira a ser des- coberta e povoada nos Açores. Com pouco menos de seis mil habitantes, e apenas a oitenta quilómetros de São Miguel, é da sua capital, a Vila do Porto, que nos meses mais quentes do ano partem barcos à descoberta do famoso salão de baile da ilha.
But let us start at the beginning, where the promise of an idyllic postcard takes shape. Every year, many travellers land on Santa Maria to set off from the marina of Vila do Porto on what will probably be one of the most fascinating experiences of their lives.
Santa Maria is the southernmost island of the Azores, and the one blessed with the most hours of sunshine each year. This gift is due to its proximity to the Gulf Stream and its profile, which, being lower in altitude, makes it the only island in the archipelago with less humidity and, consequently, a climate more akin to the Mediterranean. Also known as the Yellow Island, Santa Maria was the first of the Azores to emerge, more than eight million years ago, as well as the first to be discovered and settled in the archipelago.
With just under 6,000 inhabitants and only 80 kilometres from São Miguel, it is from its capital, Vila do Porto, that boats set out during the warmer months in search of the island’s famous underwater ballroom.

O facto de estar entre dois continentes faz das águas de Santa Maria um ponto crucial para muitas espécies que todos os anos incorrem em migrações atlânticas e na Baixa do Ambrósio. jamantas esvoaçantes encontram condições perfeitas para acasalarem, alimentarem-se e cresce- rem e deslumbrarem os mergulhado- res que visitam esta ilha.
A presença destes mágicos animais em todo o arquipélago teve o seu primeiro registo no século XVIII, mas só em 2013, através da recolha de fotos de cidadãos cientistas, foi possível confirmar, pela primeira vez, que ocorrem três espécies diferentes de Mobulídeos nos Açores:a Jamanta Chilena (Mobula Tarapacana), a Manta Oceânica (Mobula Birostris) e aJamantaGigante (Mobula Mobular), sendo estas duas avistadas em menor quantidade.
“Dançar com Mobulas”. É assim que a Wahoo Diving, a empresa de mergulho com sede em Vila do Porto, conquista quem a escolhe para experienciar este mergulho. A experiência de “dançar com jamantas” arrebata, sem dúvida, qualquer mergulhador apaixonado pela vida oceânica. Mas o facto de se diferenciar na eficiênciade uma reserva online é também atractivo para todos os mergulhadores de garrafa. Simplesmente porque escolher uma empresa a quem confiamos a segu- rança da experiência pode originar algumas borboletas na barriga. Diria que o entusiasmo parecido com o de uma criança em espera numa manhã de Natal mistura-se à sensação de receio, porque não é uma actividade, por norma, experiencia- da nos meses de Inverno. Sem treino e sem viagens a caminho de dois anos de covid 19, o impacto da pri- meira impressão é por isso fulcral sempre que se contacta uma empresa de mergulho, já que é sempre um desafio confiar no operador que des- conhecemos.
A Wahoo Diving é orquestrada por Steffen Errath, nascido há 38 anos, em Friburgo, na Brisgóvia alemã. O experiente mergulhador alemão escolheu Santa Maria como sua morada permanente de Março a Novembro, e é aí que todos os anos guia, com grande paixão e responsabilidade, os amantes dos mergulhos com jamantas. No seu português em constante construção sublinha logo que é “o primeiro centro de mergulho que se estabeleceu em Santa Maria”: “A nossa experiência de mergulho posiciona-se bem longe de um turismo de massas”, garante. Facto que pude comprovar quando, a caminho da Baixa do Ambrósio, comparei a quantidade de mergulhado- res dos diferentes barcos. O Ambrósio tem regras específicas e a cada empresa é dada um “slot” de tempo diário de uma hora e meia, onde pode ir apenas um barco de cada vez e com o máximo de dez pessoas.
A Wahoo Diving leva apenas oito mergulhadores de cada vez, para dar a garantia de que todos conseguem ver bem as jamantas. O que pode acontecer porque se não for um mergulhador experiente não pode abandonar o cabo que assegura a descida. E não, não se queira imaginar pendu- rado no cabo do mergulho, com mui- tos mergulhadores por baixo, que lhe tirarão toda a visibilidade com as bolhas de respiração.
Steffen começou a mergulhar aos 14 anos em lagos alemães e, com lar- ga experiência nos vários oceanos do mundo, comprou a empresa pioneira ao antigo fundador e no final de 2014 investiu, comprando mais um barco (há outros mergulhos a descobrir além do da Baixa do Ambrósio) e, formando uma equipa, tem hoje ao serviço dez guias experientes para scuba dive e free dive, usando os termos em inglês, a língua utilizada na experiência da Wahoo.
Being situated between two continents makes the waters around Santa Maria a crucial waypoint for many species that undertake Atlantic migrations each year. At Baixa do Ambrósio, gliding manta rays find the perfect conditions to mate, feed and grow — and to mesmerise the divers who come to this island.
The presence of these magical animals throughout the archipelago was first recorded in the 18th century. However, it was only in 2013, through the collection of photographs by citizen scientists, that it was possible to confirm, for the first time, the presence of three different species of mobulids in the Azores: the Chilean Devil Ray (Mobula tarapacana), the Oceanic Manta Ray (Mobula birostris) and the Giant Devil Ray (Mobula mobular), the latter two being sighted in smaller numbers.
“Dancing with Mobulas.” This is how Wahoo Diving, the dive centre based in Vila do Porto, wins over those who choose it for this extraordinary experience. The experience of “dancing with manta rays” undoubtedly captivates any diver passionate about ocean life. But its efficient online booking system is equally appealing to all scuba divers. Simply because choosing a company we trust to ensure the safety of the experience can give rise to a few butterflies in the stomach.
I would say that the excitement of a child waiting for Christmas morning is mixed with a sense of apprehension, because this is not, as a rule, an activity experienced during the winter months. After almost two years without training and travelling due to Covid-19, the impact of that first impression is therefore crucial whenever one approaches a diving company. It is always a challenge to place your trust in an operator you do not know.
Wahoo Diving is led by Steffen Errath, born 38 years ago in Freiburg im Breisgau, Germany. The experienced German diver makes Santa Maria his permanent home from March to November, and it is here that, every year, he guides lovers of manta-ray diving with great passion and responsibility.
In his ever-improving Portuguese, he is quick to point out that Wahoo is “the first dive centre to establish itself on Santa Maria”: “Our diving experience is positioned far away from mass tourism,” he assures me. A fact I was able to confirm when, on our way to Baixa do Ambrósio, I compared the number of divers aboard the different boats.
Ambrósio has specific rules, with each company allocated a daily one-and-a-half-hour slot, during which only one boat may visit at a time, with a maximum of ten people on board.
Wahoo Diving takes only eight divers at a time, ensuring that everyone has a good view of the manta rays. This matters because less experienced divers are not allowed to leave the line that secures the descent. And no, you do not want to imagine yourself hanging from the dive line, with a crowd of divers below you whose streams of bubbles will block your entire view.
Steffen began diving at the age of 14 in German lakes and, after gaining extensive experience across the world’s oceans, bought the pioneering company from its former founder. At the end of 2014, he invested in another boat — there are other dives to discover beyond Baixa do Ambrósio — and, after building a team, now has ten experienced guides for scuba diving and freediving, to use the English terms adopted by Wahoo for the experience.



A morada é magistral e, nas palavras de Steffen, “a pouco mais de meia hora de barco do porto de Santa Maria está agregado num dos dois únicos lugares do mundo [o outro é o Princesa Alice mais perto das ilhas do Faial e Pico] um grupo de jamantas chilenas, que se concentram ali todos os anos, entre Junho e Outubro.” É por ser tão perto da costa que a Baixa do Ambrósio é considerada tão especial, o que já não acontece no Princesa Alice.
“A regra de ouro é não perturbar os animais” acrescenta Steffen, deixando bem claro nas indicações que antecedem o mergulho que, se tocar- mos nas jamantas, não só regressa- mos ao barco imediatamente como não mergulhamos mais com a Wahoo Diving. Regras firmes, bem aclamadas por quem ama e respeita as maravilhas dos oceanos – por duas vezes vi Steffen a desviar-se da sua rota para apanhar plástico flutuante – e que fazem desta empresa, tam- bém por isso, uma das mais pontua- das e recomendadas virtualmente.
Partir para um mergulho é sempre entusiasmante porque nunca é garantida a quantidade de animais que poderão ser avistados. Num mau dia podemos ver apenas uma, duas jamantas, ou raramente nenhuma, mas um verdadeiro avistar 50 todas juntas. Por isso, a recomendação é que, quando agen- dar a sua viagem de mergulho, faça pelo menos seis mergulhos em três dias diferentes (são sempre dois ou três por dia) e guarde mais uns dias, não vá o clima açoriano reservar alguma surpresa e os barcos não conseguirem sair do porto.
The setting is truly spectacular and, in Steffen’s words, “just over half an hour by boat from the port of Santa Maria, there is one of only two places in the world [the other being Princess Alice, closer to the islands of Faial and Pico] where a group of Chilean Devil Rays gathers every year, between June and October.” It is precisely because Baixa do Ambrósio lies so close to the coast that it is considered so special — something that cannot be said of Princess Alice.
“The golden rule is not to disturb the animals,” adds Steffen, making it very clear in the briefing before the dive that, should we touch the manta rays, we must return to the boat immediately and will not be allowed to dive with Wahoo Diving again. Firm rules, warmly welcomed by those who love and respect the wonders of the ocean — I saw Steffen divert from his course twice to collect floating plastic — and which also make the company one of the most highly rated and recommended online.
Setting off on a dive is always exciting, because there is never any guarantee of how many animals we might encounter. On a bad day, we may see just one or two manta rays, or, more rarely, none at all. But on a truly exceptional day, we might see 50 gathered together. That is why the recommendation, when planning your diving trip, is to book at least six dives over three different days (there are always two or three dives per day) and to allow a few extra days, in case the Azorean weather has a surprise in store and the boats are unable to leave the harbour.




Acordamos na Vigia da Areia, numa das moradas mais deslumbrantes da ilha, na Baía de São Lourenço, e o encontro acontece a vinte minutos de carro, na marina de Vila do Porto. Cada mergulhador monta o seu equipamento (sempre com vistoria da equipa da Wahoo) e par- timos para uma viagem de 35 minu- tos ao longo da costa. Todos equipa- dos e prontos a pôr o bocal que nos ligará à pulsação da vida. E a realizar um dos sonhos de muitos mergulha- dores (e meu), o mergulho com as jamantas.
Somos seis mergulhadores de diferentes nacionalidades no barco, sen- do eu a única portuguesa a bordo. Sentados no semi rígido frente a frente em números pares, vamos saindo um a um, mergulhando de costas, rodando o dorso em direção ao mar. Porque nesta prática desportiva aquática é sempre preciso mergulhar em dupla, o meu buddy de segurança é o Steffen. Os deuses dão tudo quando os mergulhos são feitos sem cor- rente, o que permite aos guias e mergulhadores mais experientes afastarem-se um pouco do cabo da embarcação. Usado não apenas para descermos, serve também como referência visual no “deep blue”, onde facilmente podemos perder o sentido de direcção.
A descida é feita lentamente e a profundidade média para encontrar as jamantas costuma ser entre os 12 e os 20 metros. A visibilidade média é de 20 a 40 metros, e em dias muito bons, uns 60. Nos 14 metros de profundidade e de mãos sobrepostas uma na outra – um mergulhador experiente nunca esbraceja – esperamos com humildade a chegada dos seres esvoaçantes. No azul difuso e esfumado, aparecem timidamente, uma, depois outra, seguindo-se várias em fila indiana. Esvoaçam ordenadas e em grupo e rapidamente concluímos, pela magia com que se aproximam, que são ainda mais curiosas do que nós.
Nenhum dicionário terá adjectivos suficientes para descrever a experiência sublime quando as vemos pela primeira vez. Muitos mergulha- dores têm lágrimas de emoção quan- do regressam ao barco. Esta será sempre uma experiência quase impossível de partilhar por palavras, porque a dança vive-se também em uníssono interior. É uma experiência terrena, mas toca-se de perto algo etéreo e mágico, que não é daqui.
Sem dar conta dos minutos, passamos a fazer parte de uma dança esvoaçante, onde as jamantas pas- sam por cima e por baixo dos corpos extasiados, a escassa distância. O cuidado é rigoroso, para nos afastar- mos e não tocarmos nestes seres magistrais, que colocam em grande humildade todos os que as vêm pela primeira vez.
A deslumbrante agregação previsível nos montes submarinos (montanhas que se elevam do fundo do oceano, sem atingir a superfície) faz da Baixa do Ambrósio uma morada aquática única. Não apenas para as condições excepcionais de observa- ção destes animais, mas também para complementar o estudo da espécie. Estudo esse que todos os anos cresce com a contribuição de fotografias e vídeos de quem lá mergulha – e numa amena temperatura que pode rondar os 24oC.
A jamanta chilena é a que aparece em maior quantidade e distingue-se pela cor dourada, variando entre o verde azeitona e o amarelo torrado. Podendo atingir até 3,4 metros de comprimento de ponta a ponta das asas, pode pesar cerca de 400 kg. É a única que tem o padrão ventral e uma cauda fina e comprida. Encontrando-se entre os mergulhadores mais profundos do oceano, as jamantas podem atingir cerca de 2000 metros de profundidade e superam temperaturas de 4o C graças ao sistema de irrigação no cérebro, que lhes permite mantê-lo activo quando estão a maior profundidade. O tempo que passam mais perto da superfície serve para recuperar a temperatura, actividade que todos os apaixonados por jamantas agradecem.
Embaixadoras do Ambrósio de Santa Maria, a ecologia das jamantas permanece um mistério. E se hoje são ponto de atracção para fazer fervilhar o turismo de uma ilha inteira, custa a acreditar que eram temidas pelos humanos há cerca de cem anos. Confundidas com man- chas no mar e com olhos laterais, as carismáticas e inofensivas jamantas são, infelizmente, ainda pesca- das pelas guelras e fazem parte de muita sopa. Também por isso as populações diminuíram 80 a 90% em alguns locais do mundo. Em Portugal, felizmente, são um íman turístico e atraem pessoas de todo o planeta.
We wake at Vigia da Areia, one of the island’s most breathtaking addresses, in the Baía de São Lourenço, and meet twenty minutes later by car at the marina in Vila do Porto. Each diver assembles their own equipment (always checked by the Wahoo team), and we set off on a 35-minute journey along the coast. Fully kitted up and ready to put in the regulator that will connect us to the pulse of life. And to fulfil the dream of so many divers (and mine): diving with manta rays.
There are six divers of different nationalities on board, and I am the only Portuguese diver. Seated opposite one another in pairs on the RIB, we enter the water one by one, rolling backwards and turning our backs towards the sea. As in all recreational diving, we must always dive in pairs, and my safety buddy is Steffen. The gods are generous when there is no current, allowing the guides and more experienced divers to venture a little further from the boat’s line. Used not only for our descent, it also serves as a visual reference in the “deep blue”, where it is all too easy to lose our sense of direction.
The descent is slow, and the average depth at which we find the manta rays is between 12 and 20 metres. Average visibility ranges from 20 to 40 metres, and on very good days can reach 60. At 14 metres, with our hands resting one over the other – an experienced diver never flails their arms – we wait humbly for the winged creatures to arrive. In the hazy, diffused blue, they appear timidly: one, then another, followed by several more in single file. They glide in formation and as a group, and we quickly realise, enchanted by the way they approach us, that they are even more curious than we are.
No dictionary could ever provide enough adjectives to describe the sublime experience of seeing them for the first time. Many divers have tears of emotion when they return to the boat. This will always be an experience almost impossible to share in words, because the dance is also experienced in inner unison. It is a terrestrial experience, yet one that brings us close to something ethereal and magical, something that does not belong here.
Without noticing the passing minutes, we become part of a graceful, gliding dance, with the manta rays passing above and below our entranced bodies, at a remarkably close distance. Care is paramount: we must keep our distance and never touch these magnificent creatures, whose presence humbles all those who see them for the first time.
The spectacular, predictable aggregation around seamounts (underwater mountains rising from the ocean floor without reaching the surface) makes Baixa do Ambrósio a unique aquatic home. Not only because of the exceptional conditions for observing these animals, but also because it contributes to the study of the species. This research grows every year through the photographs and videos collected by those who dive there – and in pleasantly warm waters that can reach around 24°C.
The Chilean manta ray is the species found in greatest numbers and is distinguished by its golden colouring, ranging from olive green to burnt yellow. Reaching up to 3.4 metres from wingtip to wingtip, it can weigh around 400 kg. It is the only one with a distinctive ventral pattern and a long, slender tail. Among the deepest-diving creatures in the ocean, manta rays can descend to around 2,000 metres and withstand temperatures as low as 4°C, thanks to a system of blood circulation in the brain that allows it to remain active at great depths. The time they spend closer to the surface helps them recover their body temperature – an activity for which all manta enthusiasts are grateful.
Ambassadors of Ambrósio and Santa Maria, the ecology of manta rays remains a mystery. And although today they are a major attraction, drawing visitors from all over the world and helping to fuel tourism across an entire island, it is hard to believe that they were feared by humans around a hundred years ago. Mistaken for patches in the sea and believed to have eyes on their sides, these charismatic and harmless creatures are, sadly, still fished for their gill rakers and used in many soups. As a result, populations have declined by 80 to 90% in some parts of the world. In Portugal, fortunately, they are a powerful tourism magnet, attracting people from across the globe.


Não desanime senão souber mergulhar com garrafa
A experiência da Baixa do Ambrósio pode ser feita apenas de óculos e barbatanas na linha de água, prática conhecida por “snorkel”, mas se as jamantas nesse dia não vierem tão à superfície, esta poderá ser uma experiência difusa ou mesmo frus- trante. Mas porque há sempre salva- ção, pode ainda visualizar as jamantas em realidade virtual, num filme realizado na reserva marinha do Ambrósio, na Biblioteca Municipal de Vila do Porto.
O convite é feito pela bióloga marinha Ana Filipa Sobral, já considerada a matriarca das jamantas do Ambrósio, por ter fundado a plataforma Manta Catalog Azores , e que lhe contará ao vivo a história do seu amor pela ilha de Santa Maria e do seu desejo de salvar a espécie. Conte com uma experiência de realidade imersiva, uma tecnologia a partir da qual é criado um ambiente virtual e na qual os sentidos humanos são simulados. Acompanhando as palavras da bióloga – que já ganhou um prémio “Terre de Femmes” da Fundação Yves Rocher, que distingue mulheres comprometidas com o planeta e a protecção da biodiversidade – poderá saber mais sobre estes animais.
No testemunho de Ana Filipa, grande embaixadora nacional das jamantas que passam todos os anos pelos Açores, este filme em 360° foi fundamental para obter legislação protectora para estes animais esvoaçantes em perigo de extinção: “Só sabemos defender o que conhecemos e por isso é tão importante ir criando uma ligação emocional a estes seres únicos do planeta”.
Seja a 20 de profundidade, seja à superfície das águas da Baixa do Ambrósio, seja numa experiência imersiva na Biblioteca Municipal da Vila do Porto, as imagens falam por si. No epílogo de todas as distintas experiências, todos os que sentem o emocionante voo das jamantas selam o postal como uma das experiências mais sublimes e mais extasiantes, que se pode ter em águas açorianas.
Don’t be discouraged if you can’t scuba dive
The Baixa do Ambrósio experience can also be enjoyed with just a mask and fins at the water’s surface, a practice known as snorkelling. However, if the manta rays do not come as close to the surface that day, the experience may be hazy or even frustrating. But there is always a solution: you can still see the manta rays in virtual reality, in a film shot in the Ambrósio Marine Reserve, at the Vila do Porto Municipal Library.
The invitation comes from marine biologist Ana Filipa Sobral, already considered the matriarch of the Ambrósio manta rays. She founded the Manta Catalog Azores platform and will tell you, in person, the story of her love for Santa Maria and her desire to save the species. Expect an immersive reality experience, a technology that creates a virtual environment in which the human senses are simulated. Accompanied by the biologist’s words – she has already received a Terre de Femmes award from the Yves Rocher Foundation, which honours women committed to the planet and the protection of biodiversity – you will learn more about these extraordinary animals.
According to Ana Filipa, a leading Portuguese ambassador for the manta rays that return to the Azores every year, this 360° film was fundamental in helping to secure protective legislation for these endangered, winged creatures: “We only know how to protect what we know, which is why it is so important to create an emotional connection with these unique beings on the planet.”
Whether at 20 metres below the surface, on the waters of the Baixa do Ambrósio, or through an immersive experience at the Vila do Porto Municipal Library, the images speak for themselves. At the end of each of these very different experiences, everyone who has felt the exhilarating flight of the manta rays seals the memory as one of the most sublime and exhilarating experiences to be had in Azorean waters.

Artigo publicado a 11 de Setembro de 2021, no suplemento Fugas do Jornal Publico.
Article published on September 11, 2021, in the Fugas supplement of the Público newspaper.


