
Há momentos na vida em que é melhor arrumar as botas. Passamos a viver descalços, na gratidão e na simplicidade. Esta semana tive o privilégio de ver a entrevista do Miguel Esteves Cardoso na RTP1. Uma lufada de ar fresco já que estive 9 dias a viver num hospital a acompanhar uma grande amiga. Marcou-me muito quando ao lado da Maria João, o escritor partilha que “aquele momento em que se sai do hospital e se volta a casa e se vê o céu, a vida muda muito… não se esquece”. E não se esquece mesmo.
Apesar das queridas mensagens que me chegaram durante dias, adorei a partilha de Fátima Campos Ferreira quando fala do “Aguenta-te” de Júlio Pomar a Lobo Antunes. Porque embora seja bem intencionado ler e ouvir que “vai tudo correr bem”, essa é uma resposta que só o futuro, Deus e o Universo sabem. E na rendição de um corpo frágil de um ser humano tão importante na nossa vida, passa-se a viver um dia após o outro, em busca de pequenas vitórias. As doenças indesejáveis relembram-nos, com grande humildade, que estamos neste mundo de passagem e que temos de dar sempre graças a tudo o que temos de bom na nossa vida. E esta sim é uma das grandes verdades na dignidade da vida e de estar à altura de tudo aquilo que nos acontece.
A quem perdeu a entrevista pode vê-la aqui.



