For more than twenty years, I have explored Portugal and the world through writing, travel and storytelling, with articles published in national and international press and a TV Show dedicated to hospitality and culture, filmed in Portugal, Amsterdam and New York.

This is my digital portfolio, a curated hospitality, culture, heritage, lifestyle and travel collection of places, people, stories and experiences, from Portugal and beyond.

Sancha Trindade

Uma lenta reverência

António Ramos Rosa escreveu um dia que cada árvore é um ser para ser em nós. Para ver uma árvore não basta vê-la. A árvore é uma lenta reverência, uma presença reminiscente, uma habitação perdida e encontrada. À sombra de uma árvore, o tempo já não é o tempo, mas a magia de um instante que começa sem fim, a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas e de sombras interiores. Nós habitamos a árvore com a nossa respiração, com a da árvore. Com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses.

As árvores têm um papel fundamental nas cidades. Além de melhorarem sem dúvida a qualidade do ar, diminuírem a erosão dos solos, reduzirem o perigo de cheias e contribuírem para melhorar o ambiente social, encorajam as actividades ao ar livre.
Responsáveis por absorver o dióxido de carbono e transformarem-no em oxigénio, diminuem as emissões de CO2 que contribuem para o aquecimento global. Responsáveis por filtrar os poluentes ambientais, as baixas temperaturas associadas à sombra das árvores podem reduzir a percentagem de hidrocarbonetos que evaporam do combustível dos automóveis.
Como se isso não bastasse, as árvores atenuam os ruídos e embelezam a cidade. No começo da Primavera faço-lhes homenagem. Infelizmente são muitas as destruições das escassas zonas verdes de Lisboa e sem conta as diversas caldeiras sem árvores, ou cepos, muitos deles ocos e a servirem diariamente de caixotes do lixo.
No entretanto e porque o sonho também existe, por estas linhas alcanço as imagens breves, onde costumo esvoaçar sobre as calçadas. Nesses dias, os passeios são inundados pela beleza dos Jacarandás.
coluna publicada a 24 de Março de 2008 no jornal Meia Hora